segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Teclando e Compartilhando

Prezados amigos, decidi construir e produzir este blog com o compromisso de postar semanalmente artigos e opiniões sobre  os mais diversos assuntos que fazem parte de minha vida profissional e acadêmica.
Pensar e organizar as diversas áreas em que tenho interesse ou estou inserido de alguma maneira, é para mim um grande desafio pessoal. E nesse sentido, a tecnologia torna-se uma grande aliada, me ajudando não só na organização dos conteúdos que pretendo estudar e abordar, mas principalmente para por em prática os conceitos de grupo e de compartilhamento, em que tanto acredito e que quero ampliar, divulgar e praticar.

Para iniciar, resolvi que vou escrever sobre os temas da minha pós-graduação em Distúrbios do Sono", que considero serem, alem de interessantes, assuntos de utilidade pública. Falar sobre o sono também será minha modesta contribuição para a divulgação e ampliação de uma questão que passou a ser considerada motivo de "saúde pública", não faz muito termpo. Alem de conceitos, existem muitos textos e trabalhos de pesquisa científica sobre doenças e possíveis tratamentos, que tenho certeza de que serão úteis para muitas pessoas. Isso não significa que esse espaço estará restriro às questões do sono. Certamente escreverei sobre muitos outros temas, mas sempre bsucando a idéia do "compartilhar" e do "dividir".

A tecnologia é maravilhosa no sentido de me permitir compartilhar com as pessoas, o produto daquilo que estou pensando e sentindo, no tempo, na hora e na disponibilidade ou não, de cada pessoa. Qualquer um poderá (ou não...), ao seu tempo, ler, comentar, rebater e discutir, também podendo contar com outras opiniões, alem da minha própria. Em tempos modernos, a tecnologia servindo de suporte e proporcionando a possibilidade do "encontro" de ideias e de inspiração.

Obrigado

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A abordagem psicológica no tratamento da insônia

Dormir está associado a "se retirar" de cena, a não ser mais o "protagonista". Quando se dorme, se está só. De uma certa forma, entregamo-nos ao “vazio”, ao desconhecido. Deixamos de compartilhar com o mundo externo e nos voltamos para dentro, para um mundo interno e individual. É uma “experiência de solidão” que somos obrigados a exercitar e praticar desde a mais tenra idade. Desde o berço tivemos que enfrentar a ausência insubstituível da mãe, em um processo de aprendizado e de capacitação para se enfrentar o "terror da solidão": sono em troca de colo, de embalos, de cantigas de ninar, de histórias contadas, de dormir na cama dos pais e a "certeza" de que ninguém estará longe se eu precisar...
Esse processo de mediação fundamental para o aprendizado do bebê, foi descrito por Donald Woods Winnicott (importante pediatra e psicanalista inglês - ) como "trocas “transicionais”: negociações, substituições, deslocamentos e equivalências.

As capacidades de “estar só” e de “saber esperar” do adulto, estão relacionadas ao resultado e a qualidade desse processo de crescimento interno e de amadurecimento emocional. No entanto, ao contrário de uma criança, o adulto é um sujeito cuja estrutura já se definiu e se estabilizou. Para o sujeito insone, não conseguir "sair de cena" e "estar consigo mesmo" durante o sono, pode estar associado a fantasia de que: "mantendo o controle" não estarei sozinho e não serei abandonado..."  Essa fantasia de que podemos "controlar" o mundo e aqueles que estão a nossa volta, podemos chamar de "ansiedade". Assim, o sintoma de insônia deve ser compreendido no seio de sua história pessoal e sintomática, bem como em relação com as contingências factuais e psíquicas atuais.

Podemos pensar que a história pessoal de um indivíduo esteja baseada e construída não somente com seu conteúdo psíquico, mas também na relação que tem com o “outro”, através dos vínculos sociais. Para os diversos vínculos existentes, os sujeitos representam papéis que, de alguma maneira consciente ou inconsciente, decidiram por assumir e interpretar.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Insônia Crônica (psicofisiológica) - Definição e Classificação

A insônia é definida como a percepção de sono insuficiente, motivada pela incapacidade de iniciar e manter o sono. Na classificação a AASM, as insônias são definidas da seguinte forma:

 Insônia Aguda

 Insônia Psicofisiológica

 Insônia Idiopática

 Insônia devido a distúrbios mentais

 Higiene do sono inadequada

 Insônia comportamental da infância

 Insônia relacionada a uso de drogas

 Insônia devido a condições médicas

 Insônia inespecífica

 Insônia psicofisiológica inespecífica

As causas da insônia podem ter origens primárias ou secundárias e, na insônia crônica, é freqüente a presença de mais de uma causa, havendo necessidade de ampla avaliação de cada paciente. As insônias, na maioria das vezes, são agrupadas em insônias transitórias (vários dias – gravidade leve), insônias de curta duração (até três semanas – gravidade moderada) e, insônias crônicas (mais de três semanas – gravidade grave). O tratamento mais utilizado atualmente para as insônias crônicas é a combinação entre tratamento farmacológico e Terapia Comportamental Cognitiva (TCC). Outras abordagens psicológicas como grupos de psicodrama estão sendo experimentadas e avaliadas.

Distúrbios do Sono - Conceito e Classificação

Podemos pensar os transtornos do sono, como sintomas e sinais que, de alguma forma, expressam algo acerca de um funcionamento mais geral, numa complexa combinação de fatores ambientais, orgânicos e psíquicos. Os estados de vigília e de sono apresentam três sinais fisiológicos básicos, que hoje, graças a tecnologia, podem ser registrados e medidos, permitindo-se a obtenção de padrões característicos no eletroencefalograma (EEG): a) atividade elétrica do cérebro, b) movimentos oculares (EOG) e c) atividade muscular (EMG) 3.


Procurando produzir uma linguagem única na identificação dos distúrbios do sono, criou-se a Classificação Internacional dos Transtornos do Sono, DSM-IV-TR E CID-9-CM. Através dessa classificação, há uma listagem com mais de oitenta distúrbios já catalogados e organizados com base nas seguintes categorias 4:

• Insônia;

• Distúrbios respiratórios associados ao sono;

• Hipersonias de origem central não relacionadas a desordens do ritmo circadiano, distúrbios respiratórios do sono, ou outra causa de distúrbio noturno do sono;

• Distúrbios do sono associados ao ritmo circadiano;

• Parassonias;

• Distúrbios do movimento relacionados ao sono;

• Sintomas isolados, Variantes aparentemente normais, Pendências;

• Outros distúrbios do sono.

O sono

O sono é um estado psicofisiológico de fundamental importância para a existência humana. Pode-se afirmar que o sono é uma necessidade básica para a sobrevivência, tanto quanto a nutrição. Embora o ser humano seja capaz de suportar um bom período de jejum, experiências com animais têm demonstrado que, se privados de dormir, passam a apresentar graves alterações de comportamento e alterações metabólicas, potencialmente mortais. Curiosamente, trata-se de um processo ativo. Não dormimos apenas devido à redução no estímulo sensorial, mas devido, tanto ao decréscimo na estimulação sensorial, quanto ao aumento na atividade dos sistemas cerebrais que promovem o sono. Pensando no sono como uma atividade restauradora e primordial, a hora de dormir delimita as fronteiras entre um mundo externo e compartilhado, e um mundo interno, misterioso e solitário. Um movimento cíclico permanente que, ao despertar, nos projeta para o mundo externo para viver e compartilhar e, com o adormecer, faz com que nos voltemos para as próprias entranhas, em busca não só da restauração das forças do corpo, mas, do fortalecimento da capacidade de simbolizar e interpretar a vida.