Não existem evidências de que pessoas consideradas normais, sejam incapazes de desenvolver um senso moral que possibilite o sentimento de culpa. No entanto existem graus de sucesso ou fracasso no desenvolvimento do senso moral, tanto em adultos como em crianças. Essa característica não se relaciona em nada com a capacidade ou incapacidade intelectual do indivíduo, mas está totalmente atrelada ao seu desenvolvimento emocional.
Desde o nascimento inicia-se um complexo processo de medição e mediação de forças: os instintos que procuram pelo imperioso objetivo de se satisfazerem (pulsões do id) e, o desenvolvimento das forças de controle sobre os instintos (mediação do ego). Aos poucos e gradativamente, a criança passa a adquirir forças de controle através da introjeção ou incorporação dos limites que o ambiente lhe apresenta (a educação). A contenda entre id e ego fez com que Freud criasse um nome específico para tratar essa questão: superego. Como sei que muitos dos leitores deste blog não são psicólogos ou não possuem contato com expressões psicanalíticas, tomo aqui o cuidado de explicitar o significado dos termos que utilizei acima: "pulsão" - processo dinâmico que consiste numa pressão ou força (carga energética, fator de motricidade) que faz o organismo tender para um objetivo; "id" - polo pulsional da personalidade cujos conteúdos são inconscientes; "ego" - polo defensivo da personalidade responsável pelos mecanismos de defesa do "eu"; "superego" - instância da personalidade responsável pela introjeção e interiorização das interdições parentais (Vocabulário da Psicanálise - Laplanche e Pontalis - Martins Fontes).
Pois bem, a palavra introjeção significa uma aceitação mental e emocional de alguma dificuldade ou limite apresentado pelo ambiente. Isso ocorre durante toda a vida mas, principalmente durante o processo educacional. Neste caso a ansiedade amadureceu rumo ao sentimento de culpa, que irá se instalar na essência da intenção criminosa, antes da realização do crime em si.
Isso é muito diferente de imposição! Quando algo é imposto e inculcado, a essência verdadeira do indivíduo não se modificou! Isso pelo simples fato de não ter ocorrido a aceitação mental e emocional, ingredientes fundamentais para que o controle dos instintos possa ocorrer de dentro para fora e, de forma verdadeira. A situação contrária onde os instintos são controlados de fora para dentro, se assemelha mais a um ambiente autoritário e ditador, onde o medo de ser descoberto é o único responsável pelo mínimo convívio social existente. Basta uma pequena distração do controle externo para que o caos se estabeleça. Não somos capazes de aceitar mentalmente e emocionalmente, nada que nos seja imposto e enfiado goela abaixo. Principalmente fatos e limites que discordamos ou não aceitamos, mesmo que sejam ridiculamente coerentes e pertinentes. Em outras palavras, a incapacidade em ter limites e moralidade do adulto, provavelmente esteja relacionada com a sua impossibilidade enquanto criança, em ter desfrutado de um ambiente que lhe proporcionasse o tempo necessário para que essa difícil digestão ocorresse. Certamente existem limites para que a culpa se expresse e, há uma psicopatologia do sentimento de culpa, que pretendo abordar em uma próxima publicação. Mas a capacidade de sentir culpa mesmo quando inconsciente e aparentemente irracional, implica um certo grau de crescimento emocional, normalidade psíquica, e esperança.
Desde o nascimento inicia-se um complexo processo de medição e mediação de forças: os instintos que procuram pelo imperioso objetivo de se satisfazerem (pulsões do id) e, o desenvolvimento das forças de controle sobre os instintos (mediação do ego). Aos poucos e gradativamente, a criança passa a adquirir forças de controle através da introjeção ou incorporação dos limites que o ambiente lhe apresenta (a educação). A contenda entre id e ego fez com que Freud criasse um nome específico para tratar essa questão: superego. Como sei que muitos dos leitores deste blog não são psicólogos ou não possuem contato com expressões psicanalíticas, tomo aqui o cuidado de explicitar o significado dos termos que utilizei acima: "pulsão" - processo dinâmico que consiste numa pressão ou força (carga energética, fator de motricidade) que faz o organismo tender para um objetivo; "id" - polo pulsional da personalidade cujos conteúdos são inconscientes; "ego" - polo defensivo da personalidade responsável pelos mecanismos de defesa do "eu"; "superego" - instância da personalidade responsável pela introjeção e interiorização das interdições parentais (Vocabulário da Psicanálise - Laplanche e Pontalis - Martins Fontes).
Pois bem, a palavra introjeção significa uma aceitação mental e emocional de alguma dificuldade ou limite apresentado pelo ambiente. Isso ocorre durante toda a vida mas, principalmente durante o processo educacional. Neste caso a ansiedade amadureceu rumo ao sentimento de culpa, que irá se instalar na essência da intenção criminosa, antes da realização do crime em si.
Isso é muito diferente de imposição! Quando algo é imposto e inculcado, a essência verdadeira do indivíduo não se modificou! Isso pelo simples fato de não ter ocorrido a aceitação mental e emocional, ingredientes fundamentais para que o controle dos instintos possa ocorrer de dentro para fora e, de forma verdadeira. A situação contrária onde os instintos são controlados de fora para dentro, se assemelha mais a um ambiente autoritário e ditador, onde o medo de ser descoberto é o único responsável pelo mínimo convívio social existente. Basta uma pequena distração do controle externo para que o caos se estabeleça. Não somos capazes de aceitar mentalmente e emocionalmente, nada que nos seja imposto e enfiado goela abaixo. Principalmente fatos e limites que discordamos ou não aceitamos, mesmo que sejam ridiculamente coerentes e pertinentes. Em outras palavras, a incapacidade em ter limites e moralidade do adulto, provavelmente esteja relacionada com a sua impossibilidade enquanto criança, em ter desfrutado de um ambiente que lhe proporcionasse o tempo necessário para que essa difícil digestão ocorresse. Certamente existem limites para que a culpa se expresse e, há uma psicopatologia do sentimento de culpa, que pretendo abordar em uma próxima publicação. Mas a capacidade de sentir culpa mesmo quando inconsciente e aparentemente irracional, implica um certo grau de crescimento emocional, normalidade psíquica, e esperança.







